Projecto Canecas é caso de “sucesso” para a integração de alunos com NEE

Passados dois anos desde que arrancou no Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, em Barcelinhos, o balanço é “positivo”. Em dois anos, o Projecto Canecas passou fronteiras, solidificou objectivos e reinventou-se. “Este é um projecto no âmbito do empreendedorismo social e trouxe mais-valias à escola, nomeadamente em termos da inclusão escolar dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE). Com o projecto, procuramos desenvolver competências, na área da olaria, mas também na área da produção da agrícola e de chás e procuramos cruzar aqui três eixos: inclusão, empreendedorismo social e Caminho de Santiago”, explicou Maria Paula Abreu, directora do Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho. “Criou-se uma marca, o aluno é o autor do produto, que é numerado e destina-se a ser levado por alguém e viajar por essa Europa, com os peregrinos do Caminho de Santiago”, sublinhou Maria Paula Abreu. E os peregrinos de Santiago são o público-alvo destas canecas, que estão à venda, desde logo, nos albergues de peregrinos, na Feira Medieval de Barcelos e na Feira de Artesanato.

O Projecto Canecas, promovido pelo Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, em Barcelinhos, foi criado há dois anos, com vista a valorizar os alunos com NEE, mas foi disseminado, porque, “em termos de inclusão social, é uma mais-valia para toda a comunidade”. “O projecto procura ser um projecto inclusivo. O nosso público principal são os alunos com NEE, mas contamos também com a participação de outros alunos, que não têm necessidades ditas educativas especiais. Há um trabalho de colaboração, que começa com os alunos com NEE [20], mas alargou-se aos outros alunos [num total de cerca de 200]”, sublinhou Maria Paula Abreu, directora do agrupamento.

Ora, tudo começa a partir de uma caneca de barro. Os alunos fazem o projecto e a pintura da caneca, que depois é vidrada e cozida. “O aluno saber que aquele produto é da sua autoria, que ele é o artista e que o seu produto se destina a ser levado por outrem. Isso dá um destaque muito grande em termos de motivação”, sublinhou a directora do Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho. Há ainda uma outra vertente, que é a produção de ervas aromáticas e de chás, sendo que, para o efeito, foi criada “uma área verde na escola e uma estufa, em que os alunos acompanham e são eles os agricultores”.

‘Canecas’ fora de portas

2019 vai ser ano de finalização e edição de um “Conto Redondo”. “A outra comunidade escolar também se envolveu no projecto, nomeadamente as escolas e jardins-de-infância do agrupamento, criando um “Conto Redondo”. Foram construídas histórias, com seguimento nos vários estabelecimentos, sobre uma caneca peregrina”, explicou Rosa Viana, uma dos coordenadores do Projecto Canecas. Rosa Viana lembrou ainda a exposição que pretendem levar a outras cidades. “Na exposição, os artistas que fizeram a interpretação dos trabalhos dos nossos alunos foram António Cunha, Afmach, Carlos Basto, Luísa Gomes, Jorge Martins e Sandra Longras”. Além disso, vão ser feitos workshops e, este ano, o projecto vai voltar a participar na Feira de Artesanato e na Feira Medieval, porque, entende Rosa Viana, dá “alguma visibilidade ao projecto e é uma forma de chegar próximo da comunidade”. Pelo meio, o Projecto Canecas já foi apresentado no Agrupamento de Escolas Alcaides de Faria, numa perspectiva de poder vir a ser replicado ou para que se juntem ao trabalho no Agrupamento Rosa Ramalho.

“O balanço é positivo, na medida em que nós alargamos o projecto à comunidade barcelense e também além-fronteiras, através do Erasmus+”, contou Rosa Viana, uma dos coordenadores. O Projecto Canecas já foi divulgado junto de estudantes da Lituânia, Polónia, Grécia, Itália, Espanha e Roménia.

Até ao momento, foram feitas 600 canecas e, “até ao fim deste ano lectivo”, esperam “atingir as 700/800 canecas”, conforme avançou Jorge Martins, um dos coordenadores do projecto.

*Foto: Município de Barcelos/DR

[Publicado em “Jornal de Barcelos”, edição de 20 de Março de 2019]

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